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Solar Decathlon

Escrito por Joana Freitas on 30 Novembro 2011.

Solar Decathlon: Que ganhe a casa mais eficiente

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É um concurso em que não vence o mais rápido, mas sim o mais eficiente. A Solar Decathlon (SD) Europe, que se realiza em Madrid desde 2010, põe os universitários a pensar numa casa que funcione a energia solar e, no final, a construí-la. A grande diferença é mesmo essa, pois, enquanto na maior parte dos concursos deste género, as coisas ficam no papel, aqui materializam-se. O movimento começou nos Estados Unidos da América e, em 2012, pela primeira vez, teremos uma casa portuguesa a concurso. E ela move-se.

“Têm de fazer um projecto que funcione unicamente a energia solar, conectado à energia eléctrica”, explicou Joara Cronemberg, da Solar Decathlon Europe, na conferência “Edifícios Balanço Zero: Rumo ao Impacte Nulo da Construção e Reabilitação nas Cidades”, que decorreu no passado dia 22 de Novembro, no Museu das Comunicações, em Lisboa.

Mas não pense que, por ser feito por quem ainda está a estudar, os projectos são meras caixas com um painel a receber energia do sol, ou, pelo contrário, projectos futuristas onde nunca vamos poder dormir uma sesta. “Casas de verdade, para pessoas de verdade”, chamou-lhes Joara Cronemberg e com muita razão. Os protótipos “têm de ser confortáveis” e utilizar “tecnologias que estejam no mercado”.

Veja-se o caso do projecto da Universidade Politécnica da Catalunha, que ganhou o primeiro lugar, na categoria de arquitectura, em 2010 (há cinco categorias – arquitectura, energia, conforto, sócio-económico, estratégia – cada uma delas com duas sub-categorias). Uma casa dividida por módulos, protegidos por uma “concha” que permite climatizar os espaços de vivência com maior facilidade. Na prática, são painéis de policarbonato tratados para resistir aos raios ultra-violeta que cobrem os módulos. Luís R. Borunda, gestor deste projecto e que veio apresentá-lo a Lisboa, explicou que o Low3 (low ao cubo) tinha três objectivos principais - low energy (baixa energia), low impact (baixo impacte) e low cost (baixo custo). Essas metas foram atingidas através do uso de materiais reutilizados e da força dos braços da equipa para construir a casa e, assim, poupar dinheiro.

Durante a exposição das casas na Villa Solar, que decorreu em Junho de 2010, em Madrid, o projecto de Luís R. Borunda e restantes companheiros de equipa foi testado de diversas maneiras. As casas eram monitorizadas e os concorrentes tiveram de secar a roupa, cozinhar, entre outras actividades, e, se não atingissem os parâmetros energéticos estabelecidos, eram penalizados.

Manuel Vieira Lopes, da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), e a sua equipa também vão enfrentar este tipo de dificuldades. Em 2012, e pela primeira vez, Portugal vai participar no SD Europe, com o projecto “Casas em Movimento”. Resumidamente, trata-se de uma casa que muda de posição com a passagem das horas, alterando a sua orientação face ao sol. O seu interior também se altera mediante as necessidades típicas de cada altura do dia. Esta casa, que tem uma pala para melhor gerir a luminosidade, atinge uma redução do uso de energia para climatização de 60/70 por cento e permite que sejam acrescentadas divisões conforme a família vá crescendo. Como no Solar Decathlon não será possível que o protótipo rode, farão um modelo estático, com rotação da pala para atingir os ganhos.

500 mil euros para por de pé

A competição Solar Decathlon foi criada nos Estados Unidos da América, no ano 2000, e focada nos estudantes americanos. “Em 2005, a Universidade Politécnica de Madrid apresentou uma casa, em 2007 participou de novo e foi aí que começaram as negociações” para trazer o projecto para a Europa, revelou Joara Cronemberg, que participou na equipa de 2007. Em 2010, realizou-se a primeira edição em Madrid, com 17 universidades a concurso e 200 mil pessoas a visitar a Villa Solar. Em 2012, vão participar 20 equipas de três continentes e 15 países diferentes (Portugal incluído).

Luís Silva, director de Desenvolvimento Sustentável da ADENE, que foi moderador do painel “Solar Decathlon: resposta aos desafios para a sustentabilidade da construção” na conferência já referida, garantiu que este movimento vai ser “adoptado” pela União Europeia, para que não se realize só em Espanha e que vá viajando pela União.

O mais difícil parece ser fazer “viajar” uma casa até Madrid. Luís Silva afirmou que se trata de um investimento de meio milhão de euros para pôr de pé os projectos. A organização ajuda, mas a maior parte das despesas estão a cargo dos patrocinadores.

Fonte: Planeta Azul

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